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As gotas embelezam as pinturas – isso é uma verdade incontestável. Desenhar e pintar gotas não é tarefa difícil se conhecemos sua constituição e comportamento.

Entendendo a gota

O formato

Como é possível uma bolinha de água ou de outro liquido qualquer exibir tanta beleza? A primeira característica que devemos entender é o formato. Pode ser semelhante a uma bolinha, se está estacionada sobre uma superfície plana ou no formato de gota, se está num plano inclinado com possibilidade de escoar – forma mais comum. As moléculas de líquidos permanecem agrupadas em porções maiores ou menores, dependendo da tensão superficial do composto e da superfície onde estão depositadas. No caso de água gotejando de um bico, o tamanho da gota será determinado pelo diâmetro do orifício por onde escoa. No caso das pinturas, é mais comum a representação de gotas de orvalho, lágrimas, seiva, e aí por diante.

Luz e sombra

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Sem luz não há imagem que possa ser representada. A visão humana é inteiramente dependente da luz – nossos olhos captam a luz refletida pelos objetos. As sombras são produzidas por obstáculos que bloqueiam, de modo total ou parcial, a passagem dos raios luminosos. Bem, não é tão simples assim, pois a luzes refletidas também influenciam na formação das sombras, mas isso estudaremos noutra oportunidade.
Nesse pequeno tutorial que fiz, há dois desenhos representando uma gota. No primeiro vemos uma fonte luminosa incidindo diretamente sobre a gota depositada numa superfície plana, como uma mesa. Assim, ela está em repouso, o que facilita nosso estudo. Há duas sombras principais: a primeira, no interior da gota e a segunda, na área externa, sendo sua projeção sobre a mesa. Gota funciona como lente irregular – através dela vemos as imagens ligeiramente distorcidas. Já experimentaram olhar através de uma garrafa transparente cheia de água? A gota funciona do mesmo modo, em menor escala, pois seu tamanho é reduzido. Assim, a mesa onde está depositada será iluminada pela luz que a atravessa. Se estivéssemos pintando, deveríamos usar a mesma cor da mesa, porém mais clara, ou como se diz na pintura, com “maior valor” (estudamos isso no artigo “Perspectiva atmosférica“). A superfície será mais iluminada do que o restante da mesa porque e gota está atuando como lente, alterando os raios luminosos. O ponto de entrada da luz é a parte mais iluminada, porém pequena (um pontinho), e fica localizada na área de sombra interior.
O segundo desenho mostra um corte da gota. De modo simplificado, vemos que os raios luminosos sofrem o fenômeno da “refração” e “reflexão“. O pintor não precisa ser especialista em óptica ou qualquer outra área da física, mas entender seus rudimentos facilita sobremaneira a produção de boas obras. Podem argumentar que alguns grandes pintores nada entendiam de física ou química. Isso é verdade. Mas uma coisa podemos garantir: tinham um senso de observação muito aguçado e muito treinamento na técnica que empregavam, o que implica em longo tempo de aprendizado. O que estamos tentando fazer aqui é pegar um atalho.
Por último, trataremos dos “reflexos“. O desenho representa o reflexo dos raios luminosos pela mesa. Há ainda o espelhamento de objetos externos, já que desempenha também a função de espelho. Reflete imagens deformadas, devido a seu formato esférico. A grande maioria das vezes não podemos representar os reflexos dos objetos exteriores, pois as gotas são muito pequenas. Nesse caso, o cérebro do observador “completará” o desenho.

Pintando gotas

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Podemos pintar gotas sobre qualquer superfície, não obstante sua cor. Basta que usemos as mesmas cores, variando os “valores”. De modo geral, podemos usar a cor mais clara e a mais escura presentes no objeto. Se a gota estiver sobre uma folha de planta, a cor mais escura será a que pintamos a área de sombra e a mais clara, a mesma com que pintamos a região mais iluminada da folha. Caso a luz venha de cima, com a cor escura traçamos um semicírculo na parte superior interna da gota (semelhante a uma “boca de zangado”) e outro semicírculo invertido na parte inferior da gota (semelhante a “boca de feliz”), representando a sombra externa. Na parte iluminada usaremos a cor clara. Usando o bom senso, podemos esfumar ou realçar alguma área para dar maior noção de realidade, mas de modo geral, essa é a técnica mais usual. Ah! faltou o pontinho luminoso, a “cereja do bolo”: basta um pinguinho de tinta branca aplicado com pincel bem fininho na parte onde entra a luz, na sombra interna da gota. Um erro comum de principiante é a inversão das áreas iluminadas. Agora, faça chover! Cuidado para não chorar, mas saiba que lagrimas ficam muito bem na pintura.

Obras sobre gotas

VASO COM GIRASSÓIS - AST - painel 20x30 (Paulo Jorge)
VASO COM GIRASSÓIS – AST – painel 20×30 (Paulo Jorge)
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Referências

Jaime Trindade: https://youtu.be/0pP3ndOOooA

Jaime Trindade: https://www.youtube.com/watch?v=5RYqyZioidU
Nacho Quiroga: https://youtu.be/M7ZYbx7COFE
Zé Arantes: https://youtu.be/2WZ6w3AwKfA
Educa Mais Brasil: https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/fisica/refracao
Brasil Escola: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/a-refracao-luz.htm

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