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Não são raras às vezes onde temos que mudar o valor tonal numa pintura, já que algumas cores variam de tonalidade após secas, geralmente escurecendo. Se precisarmos sombrear ou iluminar determinadas áreas, podemos usar “velatura” (ou “veladura”) para corrigir a obra, dando ar mais natural ao motivo que estamos pintando. Aquarelistas e restauradores também utilizam essa técnica.

O que é velatura?

É o efeito que se consegue ao pintar com tinta bem diluída (rala) sobre uma camada seca. Funciona melhor com tintas transparentes. Nos dicionários vemos que o verbete “velatura” é análogo a “veladura” e tem sua origem no ato de cobrir com vela (https://dicionario.priberam.org/veladura). A “velatura” (ou “veladura”) se assemelha a um “véu”, funcionando parecidamente. Se o véu é grosso demais, ofuscará o que estiver cobrindo e se for fino demais, pouco cobrirá.

A velatura é muito útil para:


1) Colorir retratos pintados anteriormente em escala de cinza (monocromático).
2) Sombrear áreas específicas.
3) Iluminar elementos.
4) Enevoar determinadas áreas da pintura (nevoeiro, fumaça e outros)
5) Suavizar mesclas que tenham ficado imperfeitas.
6) Suavizar contornos quando não puder usar outras técnicas.
7) Corrigir o valor tonal de algum elemento da pintura.

Colorindo com velatura

REALEZA - AST 40X50 (Paulo Jorge)

Uma técnica bastante utilizada por pintores de telas que retratam a figura humana é colorir com velatura a obra iniciada em preto e branco, utilizando escala de cinza. No modo monocromático é mais fácil representar as áreas de luz e sombra, segundo alguns retratistas, como mostra Kleber Facchin em seu tutorial “Como pintar com Veladura um Retrato a óleo”, que pode ser acessado no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=5STuB9rtY2U).

A pintura, aparentemente inacabada, São Jerônimo no deserto de Leonardo da Vinci, mostra fundo monocromático, o que nos leva a crer que esse fundo precedia também a coloração da pele realizada com velaturas.

Na obra “REALEZA” (https://www.paulojorge.art.br/project/realeza/), que pintei em 2021, utilizei essa técnica, principalmente no turbante que a jovem retratada está usando, sombreando áreas opostas à fonte luminosa.

Uso da velatura para iluminar elementos

MORRETES - AST 50x70 (Paulo Jorge)

No exemplo que citei anteriormente, a velatura foi utilizada para sombrear, mas pode também ser utilizada para iluminar elementos, como nuvens (ilustração principal deste artigo). Na obra “MORRETES” (https://www.paulojorge.art.br/project/morretes/), pintada em 2020, com a qual participei da gincana de pintura, promovida pela ALeART (Academia de Letras e Artes da Região dos Lagos), as nuvens foram iluminadas com esse método.

Enevoando áreas da pintura com velatura

ESTRADA DAS HORTÊNSIAS - Acrílica sobre tela 50x60 (Paulo Jorge)
ESTRADA DAS HORTÊNSIAS (Final)

A velatura também é usada para conferir profundidade às pinturas, representar nevoeiros ou fumaça.

O artista Maneco Araújo postou um tutorial em vídeo no YouTube, intitulado “Dando profundidade a um quadro com a técnica da Veladura” (https://www.youtube.com/watch?v=T2swDaPmoJY), mostrando, com maestria, como utilizar a técnica com pintura a óleo. Na obra “ESTRADA DAS HORTÊNSIAS”, que pintei em 2021, utilizei essa técnica com pintura acrílica para “enevoar” as casas ao fundo, enfatizando a sensação de profundidade.

Uso da velatura para corrigir valor tonal

Durante a pintura podemos notar a necessidade de modificar o valor tonal de alguns elementos. Sabe-se que, em regra geral, os elementos de primeiro plano, ou seja, mais próximos do observador, possuem cores mais vivas do que os mais distantes, o que vimos com detalhes no artigo “Perspectiva atmosférica” (https://www.paulojorge.art.br/perspectiva-atmosferica/). Como já falamos, algumas cores costumam escurecer após secas, principalmente na pintura acrílica. Velatura são eficientes para corrigir algo que não tenha ficado ótimo. Podem ser usadas tanto para “suavizar” elementos distantes, como para “acentuar” objetos mais próximos. Foi o que fiz no quadro que estou pintando (ainda sem título), onde retrato uma paisagem da entrada do Canal do Itajuru, que alimenta com água do oceano a nossa querida “Laguna de Araruama”. Usei velatura para tonalizar e sombrear o barco em evidência, representar seu reflexo na água, enfatizar elementos mais próximos no cais e suavizar outros mais distantes.

Cuidados ao usar velaturas

Acidentes podem ocorrer durante a aplicação de velaturas, pois a tinta deve ser bem diluída. Se estivermos usando tinta a óleo, utilizaremos substâncias específicas para essa tinta (Terebintina ou outras). No caso de pinturas com tinta acrílica, o solvente é água. Em ambos os casos a tinta pode escorrer. Esse problema atinge mais os pintores de telas que pintam em cavaletes. Os aquarelistas trabalham com o suporte na horizontal, minimizando o risco de acidentes. Vejam só o que aconteceu com o quadro que estou pintando: a tinta escorreu sobre o cais flutuante (canto inferior direito). Felizmente ainda não pintei essa parte.

Referências

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