MOINHO DA ALDEIA - AST 50 X 70 - Painel (Paulo Jorge)

Há muitas técnicas para simular o efeito de realidade nos elementos da pintura, como árvores, solos, animais e pessoas, fazendo com que pareçam naturais.

Sopa de letrinhas

A língua portuguesa é linda! Pena que muitos usem estrangeirismos desnecessários quando existem palavras com o mesmo sentido em nosso idioma natal.

A arte é repleta de termos estrangeiros dependendo do local onde foi criada ou se destacou. A notação musical utiliza termos italianos para expressar o andamento das peças, como “Adagio“, “Allegro“, “Vivace” e aí por diante.
A pintura – arte que pratico – usa anglicismos (termos derivados do inglês), galicismos (derivados do francês) e italianismos. Vejo como exercício para minha dificuldade em lidar com enxertias no português e sempre que posso, uso o “similar nacional”. No brasil prefiro pintar ao ar livre do que praticar “Plein air” ou “outdoor”.

Esfumado (Sfumato)

Busto Romano pintado com sanguínea

A palavra em português, numa tradução direta do italiano, seria GRADIENTE, ou seja, a mudança gradual de um tom para outro, mas a tradução usual é ESFUMADO, ou TONALIZADO. Já falamos sobre a importância de desfocar o fundo em pinturas. Vimos como o primeiro plano realça com esse efeito e produz a sensação de realidade. O método provavelmente surgiu na escola italiana, onde Leonardo da Vinci foi um dos responsáveis pelo seu uso na pintura, migrando a técnica utilizada no desenho a carvão e sanguínea (espécie de giz vermelho composto de minerais e óxido de ferro) para as telas. O uso consiste em espalhar os resíduos com uma boneca de pano, trapo, esponja, dedo ou pincel, suavizando as bordas e tonalizando o fundo. Assim surgiu uma nova forma de pintar, mostrando mais realismo com a profundidade representada nas obras. Facilitou muito o trabalho dos artistas, principalmente para o desenho de figuras humanas. Um errinho ou outro pode, com essa técnica, ser facilmente dissimulado. Há maneiras diversas de conseguir efeitos semelhantes na pintura à óleo ou acrílica.

Degradê na pintura

Moinho da Aldeia1 (Paulo Jorge)

Para conseguir fundir duas cores numa gradação suave, basta pegar a primeira e misturar com a segunda, criando uma terceira formada com a mescla. Pinta-se a primeira, a mistura e a segunda, nesta sequência. Depois com um pincel maior (22 ou 24) limpo e seco, ataque a tela (literalmente) com pinceladas cruzadas até formar o degradê. Se necessitar, aplique um pouco mais de tinta onde achou deficiente, e pinceladas nela! No caso da tinta acrílica, tem que ser rápido, pois seca rapidamente. Na tinta à óleo podemos fazer com mais calma, com pincel mais macio – é mais fácil conseguir o efeito. Se achar necessário, pode usar quatro misturas ou mais. Com o tempo conseguirá a receita adequada ao seu estilo.

Costumo usar essa técnica para pintar céu, mas devemos tomar algum cuidado:

  1. Limpar bem os pincéis. Há um ditado que diz: “Quem tem sujo o pincel não entra no céu”.
  2. Cuidado com o amarelo! Ao pintar um pôr do sol somos tentados a mesclar o amarelo com o azul. Então surge o indesejado verde, que até pode aparecer em situações específicas, mas com pequena intensidade. Para evitar isso há uma solução prática: utiliza-se um alaranjado entre o azul e o amarelo, pois o vermelho, presente no laranja, se funde muito bem com o azul.

Veladuras

Se temos céu, que venham as nuvens! Para outras atividades elas podem ser inconvenientes, mas na pintura podem ser a solução ou um complicador se não temos prática em pintá-las. Céu limpo, o famoso “céu de brigadeiro”, geralmente fica sem graça na pintura.

Pintar nuvens não é tarefa muito difícil, se alguns detalhes forem observados:

  1. A parte inferior quase sempre é mais difusa e escura do que a parte superior (se não está sendo iluminada diretamente pelo sol poente, nascente ou a lua).
  2. O lado que recebe luz é mais iluminado.
  3. Raramente o branco da nuvem é realmente branco, já que sofre influência do entorno.
  4. Evite formas simétricas (são bastante irregulares ou difusas, dependendo do vento).
Veladura – iluminando nuvens

COM TINTA À ÓLEO – Ao pintar o céu pode-se deixar algumas lacunas para pintar as nuvens, ou não deixar e sobrepor posteriormente com camada mais gorda de tinta, ou ainda usar técnica mista. Depois, suavizar mesclando as partes inferiores com o fundo, usando as técnicas descritas anteriormente neste artigo.

COM TINTA ACRÍLICA prefiro pintar todo o céu (é mais fácil fazer o degradê assim) para depois pintar as nuvens em branco de titânio que é opaca e tem excelente cobertura. Os reflexos e sombreados faço com veladuras e esfregaços. Este último efeito abordaremos no próximo artigo.

VELADURA

É o efeito que se consegue ao pintar com tinta bem diluída (rala) sobre uma camada seca. Funciona melhor com tintas transparentes. A veladura se assemelha a um “véu”, objeto que derivou este termo, funcionando de modo análogo. Se o véu é grosso demais, ofuscará o que estiver cobrindo.

A veladura é muito útil para:
1) Colorir retratos pintados anteriormente em escala de cinza (monocromático).
2) Sombrear áreas específicas.
3) Iluminar elementos.
4) Enevoar determinadas áreas da pintura (nevoeiro, fumaça e outros)
5) Suavizar mesclas que tenham ficado imperfeitas.
6) Suavizar contornos quando não puder usar outras técnicas.
7) Corrigir o valor tonal de algum elemento da pintura.

MOINHO DA ALDEIA - AST 50 X 70 - Painel (Paulo Jorge)
MOINHO DA ALDEIA – Painel 50 x 70 (Paulo Jorge)
Pintura realizada com a técnica de VELADURA.
(Acervo da Casa de Cultura Gabriel Joaquim dos Santos – Prefeitura Municipal de São Pedro da Aldeia)

Referências

Montero, Hangel – La Obtencion del Color: Un secreto al descubierto

http://www.cozinhadapintura.com/2011/05/tecnicas-de-pintura-em-camadas-parte.html
http://www.cozinhadapintura.com/2011/04/tecnica-de-pintura-em-camadas-parte-ii.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sangu%C3%ADnea
https://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_da_Vinci

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