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Artistas, chegou a hora de compartilhar suas obras com o mundo! O envio de pinturas para viagens longas, acondicionadas em tubos plásticos, pode ser tarefa de grande complexidade, principalmente se a tela já estava emoldurada. Compartilho com os colegas uma experiência recente, onde o cliente adquiriu uma obra de minha autoria, para presentear um parente no exterior.

O problema e a solução

Vender um trabalho seu é sempre prazeroso. Se a obra foi produzida sob encomenda, a venda praticamente já aconteceu. Todavia, se o tema foi escolhido pelo artista, pode demorar um pouco para ser comercializada. Felizmente, todo dia há alguém buscando um produto que só você tem. Se o olhar do interessado recai sobre sua pintura e o encanta, a tarefa de vender fica mais viável. Foi o que aconteceu com a minha obra “BALNEÁRIO DE SÃO PEDRO” (https://www.paulojorge.art.br/project/balneario-sao-pedro), pintada em 2023, quando eu e meu amigo João Mattos resolvemos relembrar os velhos tempos. Com nossos cavaletes e equipamento, escolhemos a praia do Balneário, em São Pedro da Aldeia – RJ, para pintar ao ar livre. Ouvindo o canto dos biguás e arrefecidos pela brisa que emanava da “Laguna de Araruama“, demos início às nossas pinturas, abrigados pela sombra das belas árvores que ornamentam a orla. Foi um dia maravilhoso!

Recentemente recebi uma ligação de um internauta que visitou o meu portal (https://www.paulojorge.art.br) e ficou interessado em três trabalhos meus, onde um deles era essa pintura. Após a negociação de preço, alguns problemas teriam que ser resolvidos para a venda se concretizar. O primeiro deles, é que a tela estava participando de uma exposição coletiva no “Museu Regional do Sal Manoel Maria de Mattos“. Segundo: o cliente pretendia levar essa obra para o exterior e precisava que fosse acondicionada num tubo, para facilitar o transporte na sua bagagem. A primeira parte do problema foi fácil resolver com uma ligação para o diretor do museu. Já a segunda tinha um fato complicador: a tela estava emoldurada. Veremos a seguir como foi feita a remoção da moldura e a embalagem em tubo de PVC.

O trabalho a fazer

Ao consultar tutoriais de colegas artistas na internet, como Jaime Trindade, com quem adquiri muito conhecimento em seu canal no Youtube (https://www.youtube.com/@JaimeTrindade), as instruções para retirar a tela do chassi são parecidas. Aconselham primeiramente escolher uma superfície lisa (mesa ou mesmo o piso), forrar com plástico liso, colocar a tela com a pintura para baixo e utilizar ferramentas adequadas.

Se você sabe como funciona uma moldura, retirar a tela não é tarefa difícil. Sobre esse assunto, publicamos um tutorial intitulado MOLDURAS (https://www.paulojorge.art.br/molduras). No meu caso, tive que adaptar algumas técnicas ao realizar o procedimento no museu onde a tela estava exposta, uma vez que ele está localizado noutra cidade, bem pertinho do local combinado para entrega da obra.

1) A escolha do local

“Na falta de uma mesa lisa que comporte toda a tela, opte pelo piso”, aconselham alguns colegas. Mas só quem já passou dos 50 sabe como é difícil trabalhar agachado. Imagine quem já passou dos 60? Se essas condições iniciais não puderem ser seguidas, a solução é realizar todo o processo de retirada dos grampos com a tela na moldura. Quando ela está emoldurada, fica recuada em relação à parte mais externa da estrutura, de modo a dificultar o toque de objetos ou superfície irregular da própria mesa na pintura, mesmo que ela não esteja apoiada por inteiro.

2) Retire a fita gomada

Com o auxílio de uma faca ou estilete, corte a fita gomada utilizada para ocultar os grampos. Tente retirar toda a fita, mas geralmente isso não é possível.

3) Exponha os grampos

Nos casos onde não seja possível retirar toda a fita, deixe os grampos expostos com o auxílio de uma faca. Observe eles estão em vários locais: prendem a moldura externa no paspatur (“passe-partout”, para os mais exigentes) e este na tela. Por último, deixe descobertos os grampos que fixam o tecido no chassi.

4) Retire os grampos que prendem a tela

Retire os grampos que prendem a tela ao paspatur com o auxílio de uma alavanca. Ao retirar o último grampo, ela estará livre, mas não a remova ainda. É prudente manter a tela encaixada na estrutura para evitar o contato da pintura com a mesa.

5) Retire os grampos do tecido

Retire todos os grampos que prendem o tecido ao chassi. Na falta de um extrator, uma faca pode ser utilizada. A tela estava grampeada no verso do chassi, o que facilitou o trabalho. Em telas mais baratas, esses grampos podem estar localizados na lateral, o que complica bastante a tarefa.

6) Remova os suportes para pendurar a tela

Esses suportes estão afixados no chassi, sobre o tecido, na maioria dos casos. Pode ser único (na parte superior) ou em dupla (quando é utilizado um cordão). Utilize chave compatível com os parafusos. Após a remoção dos suportes, desmonte a tela com cuidado.

7) Desfaça os vincos do tecido

Retire a pintura da estrutura coloque-a sobre uma mesa, de modo que possa ser examinada por inteiro. O tecido apresentará vício em suas dobras. Tente estender o tecido, o máximo possível e com muito cuidado para não danificar a obra. Esse procedimento é necessário para dimensionar o tubo.

8) Corte o tubo

Corte o tubo com o auxílio de uma serrinha, de modo que acondicione o tecido com as dobras desfeitas. O tubo deve ter o valor exato para evitar que o conteúdo se mova durante a viagem. Após serrar, lixe para retirar fragmentos que possam danificar a pintura.

9) Forre a mesa com papel manteiga

Forre a mesa com papel manteiga cuja área seja maior do que a do tecido aberto. Há colegas que utilizam plástico liso para a mesma finalidade. Em pinturas com tinta acrílica (como nesse caso), prefiro usar papel. O plástico poderia aderir e danificar o trabalho, o que seria mais difícil acontecer em obras pintadas a óleo. Papéis comuns devem ser evitados, pois também podem aderir à pintura.

10) Cuidado ao enrolar a tela!

Coloque a tela sobre o papel com a pintura para baixo. Atenção: a pintura nuca deve ser enrolada com a parte pintada para cima.

Utilizando um tubo de menor diâmetro do que o que cortamos, enrole o tecido aberto sobre ele para evitar a formação de vincos que possam danificar a obra. Pode ser de plástico ou de papel (como aqueles que vêm no interior das bobinas). Na falta desse recurso, use outra camada de papel manteiga sobre o verso da tela, para dar mais estabilidade. Esse método dificulta o processo de preparação do rolo, portanto, tenha cuidado redobrado. O tubo utilizado para enrolar a tela pode ser retirado se o rolo ficou consistente. Isso deixará o produto final mais leve, o que pode ser melhor para viagens aéreas.

11) Coloque o rolo no canudo

Com muito cuidado, coloque a tela enrolada no canudo onde será transportada. O rolo deverá entrar sem esforço. Se ficou com diâmetro maior do que o esperado, repita o processo anterior.

Com a tela devidamente acondicionada, coloque os “caps” no tubo, tampando as extremidades. Esses tampões de plástico têm baixo custo e podem ser adquiridos nas casas de materiais para construção civil. Na falta deles, plástico resistente e fita adesiva podem ser utilizados com a mesma finalidade.

Considerações finais

Esse estudo de caso mostra somente uma maneira de preparar obras para o transporte, mas não é a única forma de fazer isso. Pinturas, emolduradas ou não, podem ser acondicionadas em caixas de madeira, construídas especialmente para essa finalidade. Esse método é mais oneroso do que a utilização de tubos de material plástico ou papel e pode ser mais caro na hora de contratar uma transportadora. Por outro lado, o cliente poderá receber a obra emoldurada, o que pode ser um facilitador no processo da venda. Como tudo na vida, há prós e contras.

Vender para outros países não é tarefa tão simples, mas esse assunto abordaremos noutra oportunidade.

Obra utilizada

BALNEÁRIO DE SÃO PEDRO - AST 40x60 (Paulo Jorge)

BALNEÁRIO DE SÃO PEDRO – Acrílica sobre Tela – 40×60

Referências

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