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A missão era pintar o Museu do Sal em São Pedro da Aldeia–RJ. O prédio, estrutura conhecida na região, foi residência de uma família tradicional de salineiros aldeenses. Surge então a necessidade de evidenciar que a pintura se referia ao museu, uma vez que a foto usada como referência mostrava um casario comum.

O Museu do Sal

A indústria salineira foi responsável pelo desenvolvimento da Região dos Lagos. Para preservar sua memória, foi criado em São Pedro da Aldeia–RJ o Museu Regional do Sal Manoel Maria de Mattos, que abarca os temas seguintes:

1) O que é o sal.

2) O sal na natureza.

3) História do sal na Costa do Sol.

4) Famílias salineiras.

5) O Ciclo de produção.

6) As Salinas e a preservação da natureza.

Localizado no bairro Flexeira (Rodovia Amaral Peixoto, km 107), o Museu Regional do Sal Manoel Maria de Mattos foi aberto ao público em 30 de maio de 2023. O espaço é composto por uma sala de vídeo, uma área de exibição de imagens da história universal do sal, uma sala de exposições diversas e o salão principal. A visitação é gratuita, de quinta a domingo, das 13h às 19h, incluindo feriados

A edificação

O museu está situado numa área de 2.315,84 m² doada à Prefeitura Municipal de São Pedro da Aldeia, estado do Rio de Janeiro, pelo empresário Jacyr Mattos da Silva, no ano de 2013. Por conta da burocracia envolvida com a viabilização do projeto, agravada pelas restrições de mobilidade impostas pela pandemia da COVID-19, somente foi aberto ao público em 30 de maio de 2023. O espaço é composto por sala de vídeo, área de exibição de imagens da história universal do sal, sala de exposições diversas e o salão principal. A visitação é gratuita e tem atraído muitos turistas e estudantes de diversas áreas.

O prédio, uma edificação centenária onde funcionou a antiga sede da Fazenda São João durante o ciclo do café e da cana-de-açúcar, encontrava-se em ruínas, exigindo grande trabalho na área de engenharia. Contudo, mesmo modificado para atender às normas modernas, preservou suas características iniciais. Desse modo, continuou integrado com o ambiente local, cuja vizinhança abriga propriedades rurais e antiga salina (hoje desativada).

A foto referência

Era um dia no final do outono. O céu estava parcialmente nublado quando visitei o museu para fazer algumas fotos que me servissem de referência na hora de compor a pintura. O diretor do museu mostrou interesse, ainda que indireto, de ter uma pintura retratando o prédio do museu, pois as demais doadas pelos meus confrades da ALeART (Academia de Letras e Artes da Região dos Lagos), eram compostas por cenários salineiros. Fiz muitas fotos, para escolher a que mais caracteriza a construção como um museu. Com muito custo, escolhi uma, buscando a que tivesse melhor enquadramento, usando as regras básicas de composição para pintura. Mas ainda assim, parece que faltava alguma coisa para indicar que ali funcionava o Museu do Sal.

A pintura

MUSEU DO SAL - Acrílica sobre tela, 60 x 90 (Paulo Jorge)

MUSEU DO SAL – Acrílica sobre Tela – 60×90 (Paulo Jorge)

A primeira necessidade que tive, foi elevar a temperatura das cores, já que o dia em que a foto foi realizada estava ligeiramente frio, com céu parcialmente encoberto por nuvens. O famoso “céu de brigadeiro” aquele lisinho, sem uma única nuvem, não me agrada para pintar, principalmente em paisagens que mostram o pôr do sol. Por isso, eu não as removi. Em vez disso, procurei realçá-las, fazendo com que refletissem os raios solares. Por sua vez, o sol encontrava-se ofuscado pelas nuvens e precisava ser evidenciado.

Em pinturas de casarios e paisagens, o artista pode usar da sua liberdade criativa para acrescentar ou retirar alguns elementos que não descaracterizem o tema central — tudo isso em prol da melhor composição possível. Não precisei realizar grandes mudanças. Limitei-me a “podar” algumas árvores.
Quando a obra já estava quase pronta, julguei que ainda faltava algo que evidenciasse o tema. O moinho de vento foi usado originalmente nas salinas, mas na atualidade muitos condomínios da região os utilizam como ornamentação. Assim, sua presença na pintura não deixa clara a função da edificação. Sim, há a inscrição na parede de entrada, onde se lê “MUSEU DO SAL”. Mas seria suficiente? Em tempos modernos, poucos se detêm na leitura, preferindo as imagens. Foi então que resolvi pintar o carrinho de mão carregado de sal — exatamente como está no interior do museu.

Dentre as mudanças que fiz, destaco estas:

1) Colocar água no lago (estava vazio na foto) — além de registrar os reflexos, tive que tomar cuidado com o nível da água. Embora o fluxo do fluido seja contínuo, em caso de pontes, devemos tomar o cuidado de manter o nível nos dois segmentos da pintura.

2) “Acender” o sol — os reflexos na vegetação (grama e árvores) e outros elementos devem ser enfatizados. O mesmo ocorre com as sombras.

3) “Acender” iluminação artificial — Procedimento realizado com lâmpadas internas e laterais (pátio à direita). Isso implica na alteração da iluminação e sombras originais.

4) Pintar o carrinho de mão na entrada — Tais carrinhos de madeira são característicos das salinas. A pintura implicou em mudança da iluminação e sombra. Enquanto no interior do museu o carrinho recebe luz natural na sua parte traseira, na frente do museu a luz entra pela região frontal. Além da iluminação direta do sol, as sombras no gramado foram acrescentadas.

Certamente aumentei minha carga de trabalho, mas em benefício da obra, tudo é válido!

REFERÊNCIAS

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