Perspectiva_linear_paisagem (Paulo Jorge)

Pinturas artísticas são feitas em superfícies planas, mas dependendo do estilo dão a impressão de profundidade. O Uso da perspectiva linear é um dos fatores principais para emular o efeito da terceira dimensão que não existe na realidade.

Origem

Nem sempre foi assim. Nas pinturas do Movimento Gótico, sucessor do Romantismo, não utilizavam profundidade. Atribui-se ao arquiteto nascido em Florença, Fillipo Brunelleshi (1377-1446), o surgimento dessa técnica. Foi uma pintura sua datada de 1415, cujo tema era o Batistério de Florença, onde a perspectiva linear foi utilizada mostrando grande sensação de realismo. Pioneiro no estudo dos “Pontos de Fuga“, elementos fundamentais da perspectiva, participou do Movimento Renascentista com muitas obras na arquitetura e pintura, influenciando artistas famosos que utilizaram esta técnica, como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Botticelli, Donatello e Ticiano. Os movimentos seguintes continuaram usando e aprimorando o estudo da perspectiva.

Direto ao ponto (de fuga)

pontos_de_fuga_e_horizonte (Paulo Jorge)

Já ouvimos a seguinte frase: “Duas retas paralelas só se encontram no infinito”. Mentira! Se são retas paralelas, elas nunca se encontrarão. Mas quando observamos uma estrada reta muito longa, temos a impressão que a mesma vai se estreitando quanto mais longe está o ponto observado. Isso se dá por defeito da nossa visão, cuja acuidade é inversamente proporcional à distância. Chamamos de “ponto de fuga” o suposto encontro de duas retas paralelas no infinito, nesse caso, representadas pelas laterais da estrada. O desenho tira proveito dessa falha visual para dar a impressão de profundidade.
A ilustração acima representa uma casa mostrando dois pontos de fuga principais. O encontro dessas retas traçadas a partir do objeto ocorre no que chamamos linha do horizonte. Esta linha está sempre na altura dos olhos do observador. Notemos que neste exemplo o observador está vendo do alto. Um desenho poderá conter vários pontos de fuga além do principal. Na casa em questão poderíamos traçar outras linhas a partir dos planos do telhado, o que não fizemos por questões didáticas.

Onde está o horizonte?

Se perguntarmos a um leigo em pintura onde está o horizonte, provavelmente dirá que fica onde o céu começa – o que não é verdade. Como já vimos, o horizonte está na linha de visão do observador (em pé na calçada oposta à casa com janelas da cor carmim) e corresponde ao ponto de fuga principal. Geralmente janelas, por serem niveladas, costumam ser boa referência para traçar as linhas necessárias, exceto se o pedreiro deixou a desejar na construção. Se a rua estiver no mesmo nível, podemos também usar as calçadas, onde supomos que sejam paralelas. Encontramos o ponto de fuga fora da tela. Já podemos traçar a linha do horizonte (amarela). Para verificarmos se está correta, pegamos o segundo segmento da calçada (depois da curva) e chegamos a um segundo ponto de fuga na mesma linha.

Vemos ao fundo um carro e um motociclista. Se nosso observador caminhasse até lá, teria altura aproximada desses elementos. Há uma luminária na parede (lado direito) que tem aproximadamente o mesmo tamanho das luminárias do outro lado da rua, mas parece maior por estar mais próxima do observador.

Perspectiva linear em planícies

Perspectiva_linear_paisagem (Paulo Jorge)

Em paisagens rurais desprovidas de edificações é mais difícil encontrar elementos que nos sirvam de referência para manter a proporcionalidade. Observamos nesta pintura que publiquei recentemente, uma cerca ao fundo com porteira aberta.
Vemos duas árvores de grande porte cuja altura não há como estimar. O pasto e a mata posterior também não nos ajudam muito. Usaremos então a estrada rural que parece afunilar por efeito da perspectiva. Traçando linhas auxiliares em suas margens, chegamos ao ponto de fuga principal e consequentemente ao horizonte. O boi foi inserido posteriormente – não constava na foto usada como base. Um macho a raça “Nelore” (por comparação) tem aproximadamente 1,70 m de altura. Podemos pintá-lo com proporções adequadas usando a porteira e a estrada como referências.

Observaram como a mata ao fundo se apresenta azulada? Este é o efeito da Perspectiva Aérea, também responsável pela sensação de profundidade – assunto para outra oportunidade. Até mais.

Obras usadas como exemplo

(Clique para ampliar)

Referência

https://pt.wikipedia.org/wiki/Filippo_Brunelleschi

https://www.amopintar.com/perspectiva-na-arte/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Renascimento

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pintura_do_g%C3%B3tico

https://www.culturagenial.com/historia-da-arte-guia-cronologico/

https://profmat.furg.br/images/TCC/TCC2_Tiago.pdf
A TEORIA DA PERSPECTIVA FUNDAMENTADA PELA GEOMETRIA PROJETIVA (Maria Madalena Santos, Nadja Lisboa da Silveira Guedes – Ufes – Universidade Federal do Espírito Santo)
CURSO TÉCNICO DE DESENHO – Mozart Couto – Editora Escala.

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Sobre o autor

2 Respostas para “Perspectiva linear – sensação 3D”

  1. Olá! Obrigado por seu contato.
    Tenho este material sobre Geometria Projetiva, direcionado para alunos do ensino fundamental:
    https://profmat.furg.br/images/TCC/TCC2_Tiago.pdf
    Há outros links na referência do meu artigo e mais duas outras matérias minhas sobre “Profundidade na Pintura”.
    Não sei se você solicitou minha amizade no Face ou Instagram (tenho cerca de 300 solicitações pendentes, mas poucas vagas). Seu nome não me é estranho, mas posso ter confundido com nome comercial. Se isso ocorreu, peço desculpas e por favor, solicite novamente. Seria um prazer lhe ser útil.
    Abraços.

  2. Olá, sou professora de Arte do ensino fundamental II, gostaria de sugestões, links, materiais para trabalhar o tridimensional com os alunos. Obrigada

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