Há pinturas que nos agradam imediatamente e outras que não gostamos, pois algo parece errado. Nosso cérebro rejeita tudo que não gosta, embora não saibamos especificar o motivo. A boa composição é fundamental para a harmonia na pintura, desenho ou fotografia. Uma das técnicas que podem nos ajudar é a “Regra dos Terços“.

Monotonia – como evitá-la?

Dissemos na introdução que nosso cérebro rejeita imagens que não gostamos, de modo involuntário, mas nem sempre isso acontece. Podemos gostar de um quadro. Olhamos uma ou duas vezes e já nos cansamos, desviando o olhar para outro objetivo. Isso se dá pela monotonia da composição, que elaborada sem a observância de determinadas regras, tornou-se monótona.

Nem tudo é certinho

CAMINHO DO PONTILHÃO - AST 40 x 60 (Paulo Jorge)

Observe uma paisagem natural e tente achar simetria – dificilmente encontrará. Não verá árvores redondinhas nem igualdade numérica de galhos ou folhas. Há pessoas que têm dificuldade em lidar com essa situação e na hora de pintar a referida paisagem, começam a inserir elementos na tentativa de “balancear o quadro” – isso torna a pintura monótona. A simetria deve ser evitada.
Dizem os estudiosos que isso é o que se chama de TOC – Transtorno Compulsivo-obsessivo, mais vulgarmente conhecido como “TOC de simetria“. A boa notícia é que existe tratamento. Nesse aspecto, a pintura pode ajudar como coadjuvante da terapia convencional realizada por um profissional competente.

Nem tudo é lisinho

Pintura não é fotografia – para retratar uma paisagem exatamente igual, use uma máquina fotográfica. Na pintura alguns elementos podem ser suprimidos ou acrescentados, sem alisar exageradamente para buscar o mesmo efeito das fotos. As pinceladas corretas sugerem os elementos, definindo-os parcialmente, em muitas ocasiões. O cérebro do observador se encarrega de completar a imagem. Há um ditado popular que diz: “Para agradar um fotógrafo, diga: – parece uma pintura. Para desagradar um pintor, diga: – parece uma fotografia”.

Fuja do centro

BRINCANDO NA PRAIA DO SOL

Quando desenhamos uma cena, nossa primeira tendência é traçar inicialmente a linha do horizonte no centro da tela, como fazem a maioria das crianças. Estudos realizados por especialistas mostram que isso também deixa o quadro monótono. O correto é desenhar o horizonte no terço inferior ou superior da tela. Mas o que é linha do horizonte? Um observador desatento diria que é a linha que separa do céu as montanhas ou o mar. Isso não é verdade. Essa linha imaginária está posicionada na altura do nosso olhar, no ponto de fuga para onde convergem as linhas da perspectiva linear (vimos esse assunto no artigo “Perspectiva linear – sensação 3D“).

REGRA DOS TERÇOS

Antes de esboçar o desenho, divida o suporte em três partes horizontais e três partes verticais traçando duas linhas horizontais e duas linhas verticais. Assim ficarão definidos nove quadrantes. O horizonte ficará melhor posicionado na linha superior ou inferior. O cruzamento dessas linhas são pontos ideais para posicionar os elementos principais da pintura – aqueles que deseja destacar. Se não ficarem exatamente nos pontos definidos, não há problema – essa é uma regra simplificada. Essa técnica funciona também na fotografia. Os aplicativos de redimensionamento e cortes de imagens usam grade com a regra dos terços para orientar a tarefa.
Mas por que em três partes? Dois terços da largura ou altura correspondem a 0,666 da medida total. Essa é uma aproximação da “seção áurea” de um segmento, que é 0,618, também conhecido como “número de ouro“. Esse é assunto que abordaremos noutra oportunidade. Até lá!

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Referências

Pintura além do pincel – Barcelos, João.
Wikipedia – Regra dos terços.
Perspectiva linear – sensação 3D – Santos, Paulo Jorge.

http://institutodepsiquiatriapr.com.br/os-subtipos-de-toc-quais-sao/

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